No texto de hoje quero propor uma reflexão. Nos últimos dias, uma reportagem do portal G1 mostrou que o Congresso nacional gasta mais de R$ 5 milhões de reais por ano em gastos com ascensoristas. São 74 trabalhadores terceirizados que tem como função controlar a movimentação dos elevadores da Câmara e do Senado entre os andares dos prédios. Em tempos de crise e com a população cobrando responsabilidade no gerenciamento dos gastos públicos, será que o poder legislativo federal deveria continuar a investir tanto dinheiro em um serviço cada vez menos usual — a própria reportagem nos mostra uma queda de 35% no número de ascensoristas no Brasil entre 2010 e 2016?

Não é uma discussão fácil: estamos falando de pais e mães de família que dependem de seus empregos, senão não estariam ali. Ao mesmo tempo, com a tecnologia cada vez mais avançada, várias funções têm deixado de existir — o cargo de ascensorista, por exemplo, com a automatização dos elevadores —, e, como contribuintes, sabemos que o dinheiro não dá em árvore: precisa ser bem gasto.

Em um ambiente de salários muito acima da realidade brasileira (não se esqueçam dos auxílios a perder de vista) como é o dos congressistas, discutirmos a demissão ou não de profissionais com vencimentos médios na casa dos R$ 1,6 mil parece um contrassenso. Este argumento tem razão. É como barrarmos a entrada de formiguinhas enquanto elefantes destroem nossa casa. Não seria o caso, então, de tentarem realocar estes funcionários em outras áreas da casa? Em 2015, o El País já informava que cerca de 40% dos funcionários do Congresso são terceirizados. Só na Câmara, eram 2.427 terceirizados em funções que vão da vigilância ao apoio à informática no meio de 2017. Entretanto, se os contratos com as empresas não derem essa abertura, a realocação pode acabar não acontecendo.

Supersalários e auxílios

A discussão dos supersalários (acima do teto de R$ 33,7 mil) que continuam a ser pagos (e não são poucos) em nosso país é até mais importante na hora de falarmos em corte de gastos. São valores imorais que acabam pesando mais em nosso bolso e fazem os R$ 5 milhões gastos com os ascensoristas parecerem “dinheiro de troco”.

Automação x Desemprego

A discussão que aborda o tema do desemprego trazido pela automação não é recente, e vai sacudir áreas inteiras, incluindo os governos. Nossos representantes precisam estar atentos ao que acontece no mundo, para que os efeitos disso sobre a população sejam os menores possíveis.

Como otimista que sou, penso que haverá lugar para todos, apenas as funções é que serão diferentes. E isso nos leva a outro ponto importantíssimo: precisamos criar formas de capacitar nossa população para as novidades que virão. O Brasil ainda é um país com baixo investimento em pesquisa e sua população têm sérias dificuldades para conseguir se manter estudando, pelos mais diversos motivos. Agora, mais do que nunca, educação é fundamental.

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